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Pando
PANDO
A verdadeira história de Pando
Nascido na cidade de Urupês, interior do estado, o menino José Pando veio para São Paulo com os pais, que buscavam melhores condições de vida. Ao perder logo o pai, que faleceu de tifo, Pando, o mais velho dos quatro irmãos, começou a trabalhar com oito anos de idade para ajudar a mãe no sustento da família. Com uma infância pobre, o menino jogava futebol na rua. Foi depois de ingressar nas categorias de base do Juventus com 13 anos que passou a estar escrito o destino do jovem.
Pando fala com carinho de alguns jogos, mas enfatiza aqueles onde atuou contra Pelé. "Ficávamos ansiosos para jogar contra ele, a lembrança é dele, tudo foi Pelé, não haverá no mundo outro igual", diz.
Ao lado dos atletas Mão de Onça, Homero, Julinho, Lima, Clóvis, Lanzoninho, Zeola, Buzone, Cássio, Rodrigues, Pando atuava como lateral esquerdo no jogo Juventus x Santos, na Javari, dia em que Pelé fez o seu gol mais bonito, em 1959.
"O Pelé me deu aqui, na perna, caí e desmaie", conta o ex-atleta sobre o momento em que o rei do futebol o atingiu e o zagueiro precisou sair do estádio de maca sem conseguir voltar ao campo naquele dia. Para acirrar o clima, corria nas arquibancadas a notícia de que o camisa dez do Santos havia quebrado a perna de Pando, o que não ocorreu na verdade.
Pando, lateral esquerdo juventino, operou o menisco alguns anos depois, mas sem estar totalmente recuperado, voltou aos gramados e sofreu mais uma séria contusão, que esta sim o deixou quase um ano longe dos campos no melhor momento de sua carreira. Mas depois disso, ainda jogou alguns torneios pelo Juventus, passou pela Ferroviária, de Botucatu, pelo Jabaquara, de Santos e pelo Paulista, de Jundiaí.
Outra passagem importante e inusitada da carreira do atleta aconteceu em 1961. Com casamento marcado, o atleta sairia de licença, mas o Juventus havia ficado para o chamado "rebolo" do Campeonato Paulista, que obrigou aos noivos a adiar o casamento por três vezes.
A disputa pela única vaga para se manter na 1ª divisão era com os times Corinthians, de Presidente Prudente, e América, de Rio Preto. Aí, os dirigentes impediram Pando de se afastar. Dizem que até mesmo o presidente do clube na época, Roberto Ugolini, foi à igreja São Rafael para pedir que o padre adiasse a data.
O Juventus foi à final com o Corinthians e conseguiu a vitória através do empate (1x1).
Como era um dos destaques do Juventus, Pando, ao lado do ex-atacante Buzone, vendia títulos remidos para ajudar a construção da sede do clube.
Pando parou de jogar profissionalmente em 1965. Depois disso, ele trabalhou na Secretaria da Fazenda e na Ford, onde se aposentou.
O ex-jogador, sócio número 186, dificilmente vai à Javari, mas não poupa elogios ao clube e ao presidente. "Participei de quase todos os campeonatos dos associados. Gosto muito do Juventus e de Armando Raucci", finaliza.

Equipe do Juventus em 1958

Pando em ação contra o Santos
Pando em ação contra o Corinthians

Pando pronto para limpar a área juventina
