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HISTÓRIA DE UM CLUBE VENCEDOR


O Clube Atlético Juventus foi fundado no dia 20 de abril de 1924 por funcionários do Cotonificio Rodolfo Crespi com o nome de Extra São Paulo. Essa foi a maneira que esses trabalhadores encontraram para o lazer dos fins de semana.

O começo foi humilde como era o bairro da Mooca. Na década de 20 os campos de várzea cercavam a cidade de São Paulo. O futebol era um esporte que começava a se destacar na cidade. Para muita gente, no bairro, seria apenas mais uma equipe de futebol que estaria se formando entre tantas que se espalhavam na Capital Paulista.
As cores do uniforme do Extra São Paulo eram preto, branco e vermelho, as mesmas da bandeira do estado que acolhia imigrantes de vários países, especialmente
os italianos como os pertencentes à família Crespi.
A Família Crespi havia se instalado no bairro da Mooca por volta de 1895. Em 1898 um gigantesco prédio, de três andares, com quase 50 mil m²
de área era erguido num terreno de 30 mil m² entre as Rua dos Trilhos, Taquari, Visconde de Laguna e Javari. Tal obra era para abrigar uma fábrica, o importante Cotonifício Rodolfo Crespi. No local os operários cuidariam desde à limpeza do algodão até a produção de tecidos e roupas. A fábrica esteve em funcionamento até o ano de 1963. Da mesma forma que a fábrica crescia e os negócios dos Crespi prosperavam, a equipe de futebol, Extra São Paulo, se tornava vitoriosa e ganhava espaço no cenário esportivo. A semente estava lançada e em pouco tempo o Extra São Paulo ganhou força, fama. Logo os Crespi passaram a acompanhar de perto as atuações da equipe. Até que um dia decidiram encampar a idéia de adotar a associação. Reunido com os líderes daquele grupo de jogadores, em 1925, Adriano Crespi sugeriu a mudança do nome para Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube. Em troca cederia um espaço para fazer a construção do campo e iniciaria gestões para inscrever o time na APEA (Associação Paulista de Esportes Athleticos) entidade que dominava o futebol paulista naquela época.   

O primeiro Estatuto (original), do Cotonifício Crespi Futebol Clube, aprovado em 1°. maio de 1925, é uma das relíquias guardadas na sede do clube até hoje.

Dia 26 de junho de 1925 a diretoria do Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube tomou posse na sede instalada na Rua da Mooca, 504, tendo como presidente o senhor José Masi, que permaneceu no cargo até 1927 quando cedeu a cadeira a Eduardo Patrima. Em dezembro de 1928, na nova sede da associação localizada na rua João Antonio de Oliveira, 9, o conde Adriano Crespi foi escolhido para comandar os destinos do Clube, ficando Eduardo Patrima como vice-presidente. Dia 20 de maio de 1929 os Crespi receberam uma correspondência muito importante da APEA. Tal documento foi lido em Reunião Ordinária da diretoria seis dias depois. O comunicado tinha os seguintes termos: "Tomamos conhecimento do oficio de 15 do corrente do Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube pedindo a promoção à Divisão Principal. Informamos ao referido Clube que, em caso de ser aumentada a citada divisão, será o mesmo contemplado com a sua pretensão." Assim sendo, estava ali um documento que tornava o Clube candidato oficial junto a APEA, ao acesso à Divisão Principal do futebol paulista. Em 1929 o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube disputou o Campeonato da Liga Amadora de Foot-Ball. Aliada a excelente campanha na liga Amadora onde se tornou campeão, foi beneficiado também com o aumento do número de participantes no Campeonato da Divisão Principal que seria disputado no ano seguinte.

Dia 11 de novembro de 1929 foi inaugurado o estádio na Rua Javry, 25 (era assim que se escrevia o nome da atual Rua Javari cujo número também foi mudado para 117). E no dia 27 de janeio de 1930 o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube foi proclamado campeão da Liga Amadora e teve acolhido o pedido para disputar o campeonato da principal divisão de futebol de São Paulo. 

Os grandes patronos do Clube eram Rodolfo e o seu filho Adriano Crespi, italianos da cidade do Busto Arsizio, na província de Varesi, próximo a Piemonte. Rodolfo era simpatizante da Juventus, de turin, enquanto o seu filho Adriano gostava da Fiorentina, de Firenzi.
Assim que houve a proclamação da equipe e a confirmação de que o time participaria de uma competição com a elite do futebol paulista, os Crespi tomaram uma decisão. O nome Cotonifício Rodolfo Crespi futebol Clube desapareceria e em reunião de diretoria resolveram batizá-lo de Clube Atlético Juventus, numa homenagem a Juventus de Turin, mas utilizando a cor lilás, da camisa da Fiorentina, de Firenze. Com o tempo aquela cor arroxeada foi passando para o grená (vinho) utilizada até os dias de hoje. Dia 30 de março de 1930 houve a primeira reunião do Conselho Deliberativo como Clube Atlético Juventus.

 

NASCE O MOLEQUE TRAVESSO

 

Em 1930 o Clube Atlético Juventus disputou o primeiro campeonato da Divisão Principal de São Paulo. E nesse ano, dia 14 de setembro, o Juventus recebeu o codnome (apelido) de "Moleque Travesso", criado pelo jornalista esportivo Thomaz Mazzoni, do jornal A Gazeta, após uma surpreendente vitória sobre o Corinthians por 2 a 1, no estádio de Parque São Jorge de propriedade dos coríntianos. A partir dessa data o "Moleque Travesso" se eternizou como símbolo do C. A. Juventus. Em 1930 a equipe terminou a competição em oitavo lugar. No ano seguinte ficou com a sétima posição. Mas a surpresa estava preparada para 1932 quando melhor estruturado encerrou a campanha na terceira colocação.    

Com o advento do profissionalismo, em 1933, surgiu a primeira crise no clube. Os Crespi não estavam dispostos a aderir ao movimento. Para não criar qualquer atrito com a APEA (Associação Paulista de Esportes Athleticos), decidiram disputar o Campeonato Amador do Estado. Mas, ao mesmo tempo em que se dispunham a participar de tal competição os dirigentes decidiam alterar o nome da equipe. Surgia a Clube Atlético Fiorentino, com camisas de cor lilás, calções brancos e meias brancas com duas listras horizontais lilás. O escudo era a flor-de-lis, igual a da Fiorentina, de Firenze.
E a tarefa de atravessar a competição de forma vitoriosa não foi difícil. O C.A. Fiorentino, campeão da Capital, ganhou o direito de disputar o título estadual com o campeão do interior, A Ferroviária, de Pindamonhangaba. Na primeiro jogo realizado em Pindamonhangaba, o Fiorentino goleou por 5 a 0. Na segunda partida, efetuada na Mooca, o Fiorentino venceu por 3 a 1 e sagrou-se campeão amador do estado, invicto, em 1934. Estava em jogo a Taça São Paulo. Na galeria de troféus do clube, a taça conquistada nessa competição é a mais antiga entre tantas obtidas ao longo da história.

No ano seguinte, 1935, a diretoria do C.A. Fiorentino decidiu aderir ao profissionalismo. E com essa decisão optou-se também pela utilização, novamente, do nome de C.A. Juventus. Nesse ano, alguns clubes fundaram a Liga Bandeirante de Foot-Ball que nesse mesmo ano foi alterada para Liga Paulista de Foot-Ball.

Em 1941 foi realizada a primeira reforma no estádio de futebol com a construção de vestiários e arquibancadas de madeira. E a partir dessa data o estádio recebeu o nome de Conde Rodolfo Crespi.

O futebol era o esporte mais praticado em São Paulo. No ano de 1947 o Juventus ao lado de Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo, Portuguesa, Ypiranga, Comercial, Jabaquara e Nacional fundou a Federação Paulista de Futebol.

Em 1950 com a saída do Conde Adriano Crespi da presidência do Clube, o Juventus esteve prestes a fazer uma fusão com a Ponte Preta, de Campinas. A queda para a Segunda Divisão, em 1954, abalou momentaneamente a diretoria. Mas em 1955 o Juventus estava de volta à principal divisão do futebol de São Paulo.

No início da decada de 50 os limites da C.A. Juventus se restringiam a uma área de 13 mil m² entre as ruas Javari, João Antonio de Oliveira e dos Trilhos, no bairro da Mooca. E, nesse período, as atividades do Clube se limitavam apenas ao futebol. Mas, em 1958 foi construído um salão junto ao estádio onde periodicamente, eram realizadas festas, bailes de carnaval, jogos de basquete, lutas de boxe e outros eventos culturais e esportivos. O local também serviu cenário de filmes brasileiros (chanchadas).

 

IMPULSO PARA MODERNIDADE

 

Em 1960 a diretoria presidida por Roberto Ugolini decidiu transformar o Clube.
Uma empresa imobiliária foi contratada para fazer o programa de divulgação, lançamento e venda de titulos patrimoniais.

O novo clube seria erguido numa área de 85 mil m² no Parque da Mooca. Em poucos meses milhares de títulos, foram vendidos e no dia 17 de abril de 1962 foi lançada a pedra fundamental do parque poliesportivo onde hoje esta fincada a sede social do C.A. Juventus.
Em setembro de 1967 ao mesmo tempo que transformava as terras do Parque da Mooca numa imensa área social, a diretoria juventina adquiria o estádio que pertencia a família Crespi. Anos depois alguns imóveis geminados, ao estádio, na rua Javari, foram comprados e a área pertencente ao clube ampliada para 15 mil m².

Em pouco mais de 20 anos o Clube se transformou num dos maiores da América Latina. Foram construídos ginásios de basquete, vôlei, futebol de salão, caratê-judô e bocha. Há sete quadras de tênis, de saibro, das quais duas cobertas, e um paredão para treinamentos. Um conjunto aquático a céu aberto formado por uma piscina olímpica, uma social enorme para adultos, uma social para crianças, além de um poço para saltos ornamentais.

Ao longo do parque social estão várias quadras poliesportivas, churrasqueiras, play-ground, um campo de futebol, bares, lanchonetes, um restaurante, uma capela, sauna, cabeleireira, uma bem montada academia de ginástica, enormes vestiários masculino e feminino, depto. médico, berçário, uma sala de bingo, além dos departamentos de apoio como serralheria, marcenaria, almoxarifado, serviços gerais e muito verde.
Um gigantesco salão de festas (o maior de São Paulo) é o orgulho de todos os juventinos. Sob esse salão estão 450 boxes privativos distribuídos em três pavimentos. Há, ainda, um enorme estacionamento a céu aberto.

Um moderno prédio onde está a sede sócio-administrativa ocupa uma área de 1.500 m² e ergue-se em 5.500 m² de área construída, dividida em seis pavimentos (dois subsolo, mezanino, térreo, primeiro e segundo pisos). No primeiro subsolo estão a casa das máquinas e os visores panorâmicos da piscina semi-olimpica.
No segundo sub-solo há uma piscina
semi-olímpica, térmica e outra para bebês (as duas destinadas à prática e ao aprendizado da natação o ano inteiro), sala dos professores, vestiários e secretaria. No mezanino, de um lado, está todo o centro de computação que controla a "vida" do clube e do outro há uma escola de inglês, italiano e espanhol. No andar térreo (ao nível da Rua Comendador Roberto Ugolini), encontram-se a entrada nobre do clube dotada de catracas eletrônicas, sala de espera, a secretaria do Clube, o centro telefônico, atelier fotográfico (roentgenfotográfico), uma boutique, secretaria 6 Escola de Esportes, depto. de Compras e a sala de Recursos Humanos, No primeiro andar está a Assessoria de Imprensa, Departamento de Marketing, barbearia, sala de carteado lícito, salão de jogos (bilhar), galeria de troféus, auditório, salas da, presidência, da vice-presidência, da superintendência, tesouraria e contabilidade. E no segundo andar (correspondente ao sexto pavimento) há uma lanchonete, a boate Pyramd's e um amplo terraço de onde se tem uma visão de todo o clube. O acesso a esses andares pode. ser feito por elevador. escadas internas ou rampas externas. O conjunto arquitetônico é completado com um jardim suspenso ao nível do segundo subsolo e do mezanino.

 

Hino do Cinquentenário

Juventus querido
Juventus de gloria
Moleque travesso
entrou para a história

Este moleque travesso
é o maior clube paulistão
merece o nosso respeito
está fazendo cinquentão

Juventus querido
Juventus de gloria
moleque travesso
entrou para a história

Juventus, Juventus
pra confirmar a tradição
cinquenta anos de vitórias
força jovem da nação

Juventus querido
Juventus de gloria
moleque travesso
entrou para a história

Este moleque travesso
é o maior clube paulistão
merece o nosso respeito
está fazendo cinquentão

este moleque travesso
é o maior clube paulistão
cinquenta anos de vitórias
força jovem da nação

Autor: Waldemar Leopoldo
Direção Musical: Maestro Gilberto Gagliardi